Os cosméticos orgânicos estão na moda. A cada dia a onda verde ganha mais adeptos e faz a indústria lucrar com o comércio de produtos até cinco vezes mais caros do que os convencionais. Na teoria os cosméticos verdes são menos agressivos ao organismo e ao planeta, por priorizarem o uso de matérias-primas naturais (evitando corantes, perfumes e derivados de petróleo), terem um modo de produção visando a sustentabilidade, não realizarem testes em animais, entre outras práticas que variam conforme sua classificação. Na prática as propaladas vantagens dos produtos de beleza naturais não são reconhecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são vistas com ressalvas por dermatologistas.

A Anvisa cogitou criar uma regulamentação própria para os cosméticos orgânicos, mas a discussão não foi adiante. O posicionamento oficial da agência é de que as empresas que divulgam seus produtos como naturais o fazem apenas por marketing. Já o Centro de Pesquisas Químicas da Unicamp alerta para a falta de pesquisas provando a eficácia dos ingredientes naturais.

Para o professor João Ernesto de Carvalho, do Centro de Pesquisas Químicas da Unicamp, o controle de qualidade dos cosméticos orgânicos ainda precisa de ajustes. “É obrigação do produto não ter resíduos de herbicidas, seja ele orgânico ou convencional”, diz. “Divulgar essa informação como se fosse um diferencial não passa de uma estratégia para atrair o consumidor. O ponto fraco dos cosméticos orgânicos, segundo o professor Carvalho, é a falta de estudos clínicos que comprovem a sua eficácia.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também desconhece estudos que mostrem a superioridade dos cosméticos orgânicos sobre os demais. Para a entidade, faltam estudos sobre as propriedades biológicas dos produtos orgânicos que podem trazer danos à pele da mesma forma e proporção que os artigos convencionais.

A falta de reconhecimento, no entanto, não inibe os fabricantes. A cada mês são lançados novos produtos autodenominados “verdes”, que propagam inúmeras vantagens frente aos cosméticos tradicionais. Resta saber se seus efeitos são reais ou apenas jogada de marketing.

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