Manter o corpo em dia e eliminar os quilinhos a mais é uma preocupação de dez entre dez mulheres. Entre as profissionais da beleza a cobrança é ainda maior, afinal, a magreza está associada ao belo. Fica difícil, então, vender saúde e beleza quando, do ponto de vista da sociedade, se está fora dos padrões. Por isso, não é incomum vermos cabeleireiras, manicures, esteticistas e outras profissionais da área fazendo verdadeiros sacrifícios para se manter magra. Sem tempo para seguir uma dieta balanceada associada a exercícios, muitas dessas trabalhadoras aderem à moda dos shakes de emagrecimento. Mas será que eles são uma opção sadia?

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) reprovou a qualidade nutricional dos cinco shakes mais vendidos no mercado – os produtos são usados em dietas e programas de emagrecimento. Segundo a entidade, a quantidade de nutrientes dos produtos (carboidratos, proteínas e gordura), avaliada em laboratório, não é balanceada. Por isso, diz a Proteste, não seria adequado substituir uma ou mais refeições pelo shake, conforme o sugerido pelos fabricantes, pois sobram ou faltam os pilares da boa alimentação, o que coloca a saúde em risco.

O consenso entre a associação que defende os consumidores, a agência que regula as normas sanitárias (ANVISA) e os especialistas em nutrição é que os shakes jamais devem virar opções de cardápio sem o aval – e acompanhamento – de algum nutricionista ou médico.

A ANVISA, por exemplo, diz que quando as bebidas são utilizadas como substitutas do café da manhã, almoço ou jantar a própria legislação reforça que “isso somente pode ser feito sob orientação de nutricionista ou médico”. A Proteste é mais enfática e contraindica o consumo deste tipo de produto em qualquer situação. Segundo a instituição, os aspectos nutricionais não são positivos e é sabido que uma dieta desbalanceada acarreta problemas sérios de saúde, como desnutrição e problemas hepáticos.

O Conselho Regional de Nutrição responsável pela área de São Paulo e algumas cidades de Minas Gerais emitiu um parecer técnico sobre o assunto em 2006. Nele, a recomendação de alimentos para emagrecer, categoria dos shakes, deve ser uma “recomendação para curto prazo, com acompanhamento constante do profissional, além de avaliação nutricional constante”.

A lista de doenças creditadas à alimentação com defasagem nutricional é extensa, formada por osteoporose, um dos inimigos das mulheres, e também por alguns tipos de câncer, conforme já alertou o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

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